Transportadores de correia estão entre os equipamentos mais presentes em operações de mineração e movimentação de granéis. Eles conectam diferentes etapas do processo e podem transportar grandes volumes de material continuamente.
Nesse contexto, componentes relativamente pequenos, como rolos e seus rolamentos, podem ter consequências muito maiores do que seu valor individual sugere.
Foi sobre esse assunto que Matheus Salvador, engenheiro mecânico e fundador da M&S Industrial, conversou com Daniel, da Mine Trust, durante a EXPOSIBRAM 2026.
A entrevista faz parte de uma iniciativa da M&S de conversar com especialistas da indústria e traduzir tecnologias, equipamentos e conceitos de engenharia para problemas reais encontrados nas plantas industriais.
Qual é a função dos rolos e tambores?
Os rolos sustentam e conduzem a correia ao longo do transportador, tanto na região de carga quanto no retorno.
Os tambores, por sua vez, participam de funções como acionamento, tração e direcionamento da correia.
São componentes conhecidos pelas equipes de manutenção, mas sua importância deve ser analisada dentro do sistema completo.
Falhas, desgaste prematuro, problemas em rolamentos ou condições inadequadas de operação podem aumentar intervenções de manutenção e comprometer a disponibilidade do transportador.
E é justamente nesse ponto que novas tecnologias começam a mudar a maneira como esses componentes são acompanhados.
Do componente mecânico para uma fonte de dados
Um dos assuntos apresentados por Daniel durante a entrevista foi o uso de sensoriamento de temperatura aplicado aos rolos.
A ideia é transformar um componente tradicionalmente passivo em uma fonte adicional de informação sobre a condição do equipamento.
Dados de temperatura podem ser transmitidos para um sistema de monitoramento. Caso seja identificada uma alteração anormal, a manutenção passa a ter uma informação adicional para avaliar aquela posição antes que a condição evolua.
Isso representa uma mudança importante de filosofia: em vez de descobrir determinados problemas somente durante uma inspeção ou após uma falha, dados do próprio equipamento podem contribuir para uma estratégia preventiva ou preditiva de manutenção.
Temperatura também é uma questão de segurança
O monitoramento não está relacionado apenas à disponibilidade.
Rolamentos danificados, travamentos e condições anormais de atrito podem provocar elevação de temperatura.
Dependendo das características da aplicação, do ambiente e do material transportado, condições de superaquecimento podem representar riscos importantes, incluindo situações com potencial de incêndio.
O sensoriamento, portanto, pode acrescentar uma nova camada de informação para as equipes responsáveis por manutenção, confiabilidade e segurança.
Isso não elimina inspeções ou outras estratégias de manutenção, mas pode ampliar a capacidade de identificação de comportamentos anormais.
Rolo standard ou premium: preço de compra conta toda a história?
Outro ponto interessante da conversa foi a comparação entre rolos convencionais e soluções classificadas pela Mine Trust como premium.
Segundo Daniel, nas aplicações e referências trabalhadas pela empresa, existem casos em que soluções premium apresentam expectativa de vida útil entre 5 e 10 anos, enquanto determinados modelos standard podem operar em faixas de aproximadamente 1 a 2 anos.
Esses valores não devem ser interpretados como uma regra geral. A vida útil de um componente depende de fatores como carga, velocidade, abrasividade, contaminação, ambiente, especificação, instalação e manutenção.
A comparação, entretanto, levanta uma questão importante para qualquer equipe de engenharia ou suprimentos: qual é o custo real de um componente ao longo de sua vida útil?
Pequenas diferenças de engenharia podem produzir grandes efeitos
Durante a entrevista também foram discutidas características construtivas que podem diferenciar soluções destinadas a aplicações mais severas.
Entre os exemplos apresentados estão o emprego de poliuretano em determinadas aplicações de impacto e retorno, características voltadas à resistência à abrasão e diferentes configurações de rolamentos, inclusive o uso de folgas internas específicas conforme as condições de projeto.
O ponto mais relevante não é afirmar que determinada configuração seja sempre superior. É entender que especificação precisa estar relacionada à aplicação.
Carga, velocidade, temperatura, material transportado, ambiente, regime de trabalho e estratégia de manutenção precisam ser considerados conjuntamente.
Esse princípio vale para rolos, mas também para praticamente qualquer equipamento industrial.
O componente mais barato pode não ser a solução de menor custo
Uma análise baseada exclusivamente no preço de aquisição pode esconder uma parcela importante do custo industrial.
Uma avaliação mais completa pode considerar: Custo Total de Propriedade (TCO) = aquisição + manutenção + substituições + mão de obra + impactos de parada + riscos operacionais.
Imagine dois componentes capazes de cumprir inicialmente a mesma função. Se um deles demanda substituições significativamente mais frequentes, o custo da peça é apenas uma parte da equação. É necessário considerar também acesso ao equipamento, equipe de manutenção, programação da intervenção e impacto sobre a produção.
Por isso, uma pergunta mais interessante do que simplesmente “quanto custa o componente?” pode ser: “quanto custa manter essa posição funcionando de maneira confiável durante os próximos anos?”
Engenharia aplicada à confiabilidade industrial
Esse é também um dos princípios que orientam a atuação da M&S Industrial.
Nossa visão é que um problema de manutenção nem sempre deve terminar simplesmente na substituição de uma peça.
Entender a aplicação, as condições de operação, o histórico de falhas e as possibilidades de monitoramento pode revelar oportunidades de engenharia, manutenção, retrofit e automação.
A entrevista realizada na EXPOSIBRAM faz parte justamente desse movimento: aproximar especialistas, fabricantes, tecnologias e conhecimento de campo dos problemas encontrados diariamente pelas indústrias.
Assista à entrevista
Matheus Salvador conversa com Daniel, da Mine Trust, durante a EXPOSIBRAM 2026 sobre rolos, tambores, sensoriamento, vida útil e confiabilidade em transportadores de correia.
Sua operação enfrenta problemas recorrentes em transportadores ou outros equipamentos industriais?
A M&S Industrial atua na avaliação de problemas de campo, engenharia, manutenção, retrofit, automação e desenvolvimento de soluções adequadas às condições reais de cada operação.
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